Alex Margotti*
Num momento delicado da economia mundial e com a desvalorização do dólar, o Brasil passa por dificuldades no setor industrial, principalmente devido à entrada de produtos estrangeiros de forma desleal. A Presidente Dilma Rousseff, preocupada com os rumos da indústria brasileira, lançou em 2 de agosto de 2011 o Programa Brasil Maior, uma medida de grande impacto que instrumentaliza mecanismos de defesa da indústria brasileira, possibilitando maior competitividade no mercado interno e externo.
O Plano Brasil Maior é uma continuação da PDP (Política de Desenvolvimento Produtivo), lançada em 2008 pelo Governo Lula com o objetivo de incentivar e fortalecer a indústria nacional. No entanto, “ele é mais abrangente”, dizem especialistas.
O Brasil Maior foi elaborado sobre três eixos: estímulo e investimento à inovação, defesa da indústria e do mercado interno e presença no mercado exterior.
Mauro Borges Lemos, presidente da ABDI (Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial) julga que as medidas do Projeto Piloto são de extrema importância para o Brasil continuar crescendo: “Certamente, uma atitude mobilista do Governo poderia resultar no longo prazo numa regressão industrial. Este é o grande temor da presidenta Dilma e toda a sua orientação foi no sentido de preservar o parque industrial brasileiro, construído com tanto sacrifício pelos trabalhadores, industriários, brasileiros, e pela sociedade. Esta é a grande preocupação, haja vista o quadro internacional adverso”, diz Mauro.
A principal medida do Plano Brasil Maior é a previsão da desoneração da folha de pagamento para os setores chamados de intensivos em mão-de-obra, setores que mais estão sofrendo com a concorrência de importações desleais. Logo, a contribuição previdenciária de indústrias de confecções, calçados, móveis e softwares passa de 20% para 0%. Como mecanismo de compensação pela desoneração, institui-se a cobrança de uma alíquota a partir de 1,5% sobre o faturamento dessas empresas. O Tesouro Nacional bancará a diferença entre o que seria arrecadado pela Previdência Social, que não sofrerá impacto com a medida. Estima-se uma perda de arrecadação de R$25 bilhões.
O Programa prevê também estímulos a investimentos em ciência e tecnologia (espera-se o crescimento em 50% do número de micro e pequenas empresas que inovam), ampliação por mais 12 meses da desoneração de IPI para o setor automotivo (para caminhões e veículos comerciais leves), redução do prazo para devolução dos créditos de PIS/Cofins sobre bens de capital, entre outros.
O Programa foi chamado de “Pacote de Bondades da Dilma” por sua larga extensão de benefícios concedidos para fortalecimento da indústria nacional. Certamente, ele possibilita a elevação da competitividade da indústria brasileira, que sofre com as importações desleais em grande escala. Espera-se que, ao contrário da PDP, que foi por água abaixo com a crise financeira de 2008, o Programa Brasil Maior possa ter uma condução eficaz. A expectativa das empresas é grande, pois, com os benefícios, elas estarão mais preparadas para enfrentar concorrentes internacionais que avançam a cada dia mais. O Brasil passa por um processo de transformações, e esta é uma chance que o Governo tem para fazer com que a nossa indústria cresça e possa se destacar em âmbito internacional. Agora, cabe a ele tomar medidas que tirem o programa do papel.
*Integrante do setor jurídico do escritório Martins Freitas Advogados Associados.